quarta-feira, 12 de março de 2014

06



 - vai lá falar com ela Dora!
 - mas mãe, não adianta, ela não fala...
 - mesmo assim filha! Vai lá! Tenta falar com ela!
 - ta bom...
            Isabela não saía da cama há dias. Não comia e não bebia. Estava mais magra, olhos fundos, escuros, que lhe davam uma feição cadavérica. Seus olhos miravam o infinito – ela não estava nesse mundo; estava presa naquela noite, quando a encontraram suja de terra, sangue e urina, caída na sarjeta com a roupa rasgada, o rosto machucado e cheiro de álcool misturado com suor.
            Isabela não falava com ninguém. Seus pais tentaram de tudo, médico, psicólogo e até mesmo um padre.
 - bela, sou eu. Bela. Ei, bela, fala comigo.
            Renata era amiga da família. Era uma moça magra, cabelo curto, baixa, de olhos claros. Tinha um rosto doce que mascarava seu gênio difícil. Todos os dias visitava bela, falava com ela, contava seus casos e acasos mesmo que bela não demonstrasse o menor sinal de vida.
 - eu sei que você pode me ouvir bela. Eu sei que um dia você vai me responder.
 E assim passaram-se quase dois meses.
 - ... e então ele falou pra mim que já tava cansado, que não aguentava mais, que eu tava demorando muito. Saiu de cima de mim, colocou a cueca e foi pra cozinha, acredita? Eu odeio os homens, odeio! Nunca mais quero saber de homem na minha vida!
            Renata então notou uma lágrima escorrendo pela face de bela – o primeiro sinal de vida em semanas.
 - bela? Meu deus, bela! Você tava me ouvindo? Bela? O que houve? Bela, responde!
Renata sacudia bela pelos ombros, o que servia apenas para aumentar a intensidade do choro de bela, que tinha uma expressão de medo e angústia em seu rosto. Renata saiu do quarto em busca de ajuda, mas a casa estava vazia. Voltou para o quarto, onde bela ainda chorava desesperadamente.
Sem saber o que fazer, renata abraçou bela. Limpou suas lágrimas com a própria mão. Bela parecia se acalmar, sua respiração desacelerou e renata se encorajou. Pegou as mãos de bela entre as suas, apertou, aproximou seu rosto ao rosto da amiga perto o suficiente para sentir sua respiração e seu hálito quente, e beijou sua boca. Suas mãos descolaram se das mãos de bela para encontrar seu par de seios que se enrijeceram ao seu toque. Quando renata encontrou o vale entre as pernas de bela, esta já estava molhada. Renata mexeu os dedos enquanto beijava bela, para logo descer sua cabeça e beijar bela nos outros lábios. Renata se tocava ao sentir a respiração de bela aceler e ambas atingiram o clímax ao mesmo tempo.
Elas se abraçaram e dormiram, ambas com um sorriso há muito perdido e recém resgatado pela cumplicidade entre si.

Um comentário:

  1. Depois de tanto tempo é bom voltar aqui e ler a continuação desse conto. Você escreve o inesperado e assim é sempre um prazer poder vir aqui.

    Beijos, Robson.

    eraoutravezamor.blogspot.com

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