terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

04



  • Anda logo Dora, a gente tá atrasada!
  • Calma Bela, tô secando meu cabelo!
  • Já faz meia hora que você tá secando esse cabelo!
  • A, não enche o saco Bela!
Isabella tinha quinze anos e era a primeira vez que veria um bloco de rua no carnaval. A garota estava muito empolgada. Tinha marcado com as amigas as 20 horas, mas já estava pronta desde as 19. Já eram quase 20:30 e sua irmã ainda secava o cabelo, depois teria de escolher a roupa, se vestir e se maquiar. Iriam atrasar muito, como sempre.
  • Já chega Dora! Vai com o vestido rosa mesmo!
  • Mas e o branquinho? O branquinho também é lindo!
  • Tá bem, veste o branquinho então, mas ANDA LOGO!
Isadora vestiu o rosa, se maquiou, colocou a sandália e ficou pronta para sair – com uma hora de atraso. Discutindo, as irmãs foram descendo a rua de casa até a casa da Flávia, onde encontrariam as meninas. Para sorte de Isadora – que não perdeu a oportunidade de provocar Isabella – elas não eram as únicas atrasadas, faltava ainda a Clara. Todas prontas, foram para a rua do Bloco.
A noite estava bastante agradável. A temperatura girava em torno de 27 graus, o céu estava lindo e estrelado. O vento soprava forte para esvoaçar o longo cabelo cacheado de Isabella, mas não forte o suficiente para fazer subir sua saia. Era uma noite perfeita para se divertir com suas amigas e, mais do que isso, para uma primeira festa de carnaval.
A rua era um mar de gente, e o som da bateria, ensurdecedor. Todos pulavam e sorriam freneticamente, de uma maneira que Isabella nunca tinha visto antes. Para onde olhava, ela via gente se beijando – homem com mulher, mulher com mulher e homem com homem. Até beijo triplo ela pôde ver.
  • Toma Bela!
  • A não, eu não quero beber...
  • Por que não? Qual o problema?
  • A, não sei, não quero...
  • É carnaval Bela, aproveita vai!
Isabella bebeu. De fato, ela não queria, mas não era do tipo de pessoa que sabia dizer não para as amigas. Duas latinhas de cerveja foram suficientes para deixa-la tonta. Não sentia o próprio peso, era como se caminhasse na lua. Seus movimentos pareciam rápidos demais, em contraste com o mundo ao seu redor que parecia em câmera lenta.
  • Bela, aquele cara não tira os olhos de você!
  • É, eu já percebi.
  • Vai lá dar um beijo nele!
  • Nem pensar!
Como se pudesse ouvir o diálogo entre as garotas, o rapaz se aproximou. Sem nenhuma palavra, puxou Isabella pela cintura tentou dar-lhe um beijo. A garota, imediatamente, o empurrou e desvencilhou-se dele. O rapaz, bêbado, caiu no chão. Levantou com alguma dificuldade, lançou um olhar furioso em direção a moça e se perdeu na multidão.
  • Bela, por que você fez isso?
  • Ele tentou me beijar a força!
  • Não foi bem assim Bela! É carnaval, as pessoas estão aqui para beijar!
  • Eu não quero beijar!
Isabella teve uma péssima experiência dois anos antes, ao dar aquele que foi seu primeiro e único beijo até então. Desde aquele dia, nunca mais beijou ninguém, nem se envolveu com ninguém. Sequer se apaixonou por alguém. Nada. Ouvia as histórias de sua irmã com seu 'quase-namorado' mas nada acontecia consigo mesma.
Algumas horas – e cervejas – depois, Isabella estava cansada. Chamou sua irmã para voltar para casa, mas Isadora tinha conseguido um parzinho e não estava em seus planos voltar 'tão cedo'. Isabella precisava muito ir ao banheiro. Sem escolha, foi andando de volta para casa, a cabeça girando e o corpo dificilmente respondendo a seus comandos.
Assustada, ela olhou para trás. Pensou ter ouvido um barulho, talvez o som de passos. Fixou os olhos num único ponto na tentativa de ajustar o foco de sua visão, mas bêbada como estava, teve sua tentativa frustrada. Aguçou os ouvidos, mas não ouviu nada. Permaneceu ali, em estado de alerta, por aproximadamente dois minutos. A rua estava escura e completamente deserta. Esperou mais um pouco. Nada.
“Eu sabia que não deveria beber. Como eu sou boba! Nunca tinha bebido tanto antes, nunca tinha ficado tonta desse jeito. Eu tô tão ruim que já tô ouvindo coisas! E essa vontade de fazer xixi?Parece que minha bexiga vai explodir. Droga! Nessas horas eu gostaria de ser homem, poder fazer xixi em pé...”
Seus pensamentos foram interrompidos por duas mãos ferro que taparam sua boca e puxaram seu cabelo para trás. Desesperada, sem entender muito bem o que estava acontecendo, ouviu uma voz sussurrar em seu ouvido:
  • Se você fizer algum barulho, se você gritar, eu te mato!
Sentiu uma pancada nas costas, na altura dos rins. Uma dor insuportável tomou conta de todo seu corpo. Outra pancada, e suas pernas não aguentaram o peso de seu corpo. Caiu. No chão, sentiu o peso do assaltante sobre seu corpo, quando foi golpeada duas vezes no rosto. Sua boca começou a sangrar.
  • Então você achou que não ia me beijar, não é?
Sentiu sua boca invadida pela língua do outro. Tentou se desvencilhar, mas seu corpo entorpecido pela bebida e pela dor dos golpes, não lhe respondia mais. Sentiu o rapaz meter a mão debaixo de sua saia e tirar sua calcinha. Desesperada, ela mordeu o lábio do rapaz numa tentativa frustrada de se livrar.
O rapaz, por sua vez, ficou ainda mais furioso. Violentamente, virou o corpo de bela e a colocou deitada de bruços. Desavivelou o próprio cinto, abaixou as calças e a roupa de baixo. Deu mais um golpe na cabeça de Bela para mante-la sem ação, levantou um pouco o quadril da moça, agarrou fortemente seu longo cabelo cacheado e penetrou-lhe de uma vez.
Bela sentiu como se uma faca em chamas tivesse penetrado sua carne. A dor era tão intensa que seu corpo, mesmo sob o peso do rapaz, tinha espasmos. Chorou. Um choro silencioso, de quem está entregue e completamente humilhado. Não sabe quanto tempo o rapaz ficou em cima de si, mas aquele momento para ela durou uma eternidade. Quando finalmente ouviu-o afivelando o cinto, Isabella urinou-se e desmaiou.

Um comentário:

  1. Caramba.. Esse foi foi violento. A Bella está aprendendo de forma dura a conhecer o mundo real e a fazer o que ela quer e agir como ela pensa e não seguir mais uma vez a opinião das amiga como no episódio do tal primeiro beijo.
    E o 43? Onde estava nessa hora? Não é a função dele não é?
    Mas agora quero saber o que vai acontecer com a Bella.
    Bem que tudo poderia ser um pesadelo...

    Luna

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